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O que é o BookTok? A comunidade que reescreveu as listas de vendas

O BookTok é a comunidade de livros do TikTok: o canto da plataforma onde os leitores publicam críticas, recomendações, compras e avanços de leitura. Tem um equivalente no Instagram chamado Bookstagram e um mais antigo no YouTube, o BookTube.

Não é um produto oficial nem uma aplicação à parte. É uma hashtag que se tornou uma força cultural a sério, ao ponto de as livrarias montarem mesas dedicadas.

Porque conta mais do que o tamanho sugere

O BookTok conseguiu uma coisa que nenhum orçamento de marketing editorial tinha conseguido: fazer vender fundo editorial. Um romance publicado há cinco anos e discretamente esquecido pode voltar às listas de mais vendidos porque um vídeo de trinta segundos resultou.

Três características explicam-no:

  • Recomendar é o formato nativo. As pessoas não vão lá para ler livros, vão para lhes dizerem o que ler a seguir.
  • A emoção viaja melhor do que a análise. Os vídeos que funcionam mostram uma reação, não uma crítica, e isso contagia muito mais.
  • O algoritmo ignora o número de seguidores. Quem publica pela primeira vez pode chegar mais longe do que uma conta grande, por isso as recomendações não se concentram em poucas mãos.

As editoras já compram e embalam livros a pensar nisto, e é por isso que tantas capas recentes usam ilustração plana e tipografia grande: leem-se bem em miniatura, num telemóvel.

O vocabulário que o BookTok popularizou

Quase todas as siglas que os leitores hoje usam em todo o mundo nasceram ou se espalharam aqui:

  • TBR: por ler, a pilha de leitura.
  • DNF: não terminado, abandonado.
  • ARC: exemplar antecipado.
  • Tropes: os padrões pelos quais se filtra.
  • Spice: o quão explícito é um livro.
  • Bloqueio literário: a fase em que nada te segura.
  • Ressaca literária: o vazio depois de acabares algo de que gostaste muito.
  • Romantasy: romance e fantasia combinados.

O curioso é que se espalharam em inglês mesmo em países que não falam inglês. Os leitores de língua portuguesa usam TBR e DNF diretamente, ao lado de “pilha de leitura” e “abandonado”. O nosso glossário de leitura cobre os dois lados.

As críticas, ditas com justiça

O BookTok não agrada a toda a gente, e as objeções são razoáveis:

  • Concentra a atenção. Os mesmos vinte livros circulam durante meses, o que é ótimo para esses autores e duro para todos os outros.
  • Premeia a reação em vez da leitura. Um vídeo pode tornar-se viral com uma capa e um suspiro.
  • Confunde publicidade com entusiasmo. A promoção paga nem sempre é identificada com a clareza devida.
  • Pode tornar a leitura competitiva. Compras intermináveis e anos de duzentos livros transformam um prazer privado num marcador, o que é uma forma fiável de provocar um bloqueio literário.

Nada disto o torna inútil. Só significa tratá-lo como uma fonte de recomendações e não como a fonte.

As estatísticas de leitura são a publicação nativa

O formato que funciona de forma constante é o balanço pessoal: livros do mês, páginas do ano, avaliação média, capas preferidas, a estante dos cincos. Funciona porque é concreto, visual e fala de quem publica e não de um produto.

Essa é a única parte do BookTok que podes levar sem entrar. Não precisas de um perfil público para gozar a parte boa, que é ver o teu próprio ano a ganhar forma.

Endleaf: as estatísticas sem o feed

A Endleaf constrói esses cartões por ti e fica-se por aí. Balanços mensais e um ano em livros, já compostos e no tamanho de uma story, discretamente marcados como teus. Se quiseres publicar um, publica. Se nunca o fizeres, nada muda na aplicação.

Não há conta, nem feed, nem contador de seguidores, nem um algoritmo a decidir o que devias ter lido. A tua biblioteca vive no teu iPhone e sincroniza apenas pela tua própria iCloud. É a versão privada daquilo em que o BookTok é mesmo bom.

Vê como funciona a Endleaf ou descarrega-a para iPhone.

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